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Nesta 15ª edição muito nos leva à infância – à convivência das crianças no espaço escolar e às interrogações sobre a produção de sentidos que nele se estabelece. Ainda que distintos em suas abordagens, os textos confluem no sentido de trazer à vista a importância da expressividade do viver na mobilidade dos corpos e das ações em sua relação com o ambiente. Embora distante da temática escolar, mas ainda em consonância à importância do ‘estar vivo’, o segundo artigo é abordado a partir de uma falha ambiental inegociável: a desigualdade, refletida na desnutrição e pobreza da infância maia guatemalteca.

A noção ‘juventude’ invoca hoje um campo plural que compreende uma diversidade de definições e teorias sobre a especificidade do ser jovem. A própria definição de juventude proposta por organismos internacionais, como a UNESCO, tem sofrido revisões, o que mostra, no mínimo, a elasticidade e a efemeridade dos critérios que se julgam relevantes para delimitar este campo de estudos. Por outro lado, os movimentos juvenis nos espaços públicos, antes circunscritos às lutas estudantis, principalmente de universitários, hoje, se diversificam em torno de demandas e reivindicações culturais, de gênero, etnia e outras tantas, rearticulando a agenda de lutas da categoria ‘juventude’ frente à sociedade, e alavancando a organização de grupos e associações juvenis (Balardini, 2000).

A sociedade brasileira encontra-se em um momento de estupefação diante da conjuntura social, política e econômica, vivenciando fatos tão inusitados quanto alarmantes. Em um mesmo ano o país viveu múltiplas crises intra e interinstitucionais, com a deposição, pelo Congresso Nacional, de uma presidenta eleita pelo voto popular e a concomitante ascensão do seu vice, que também foi o principal articulador do processo de deposição. Os direitos e conquistas sociais frutos de anos de luta tem sido colocados sob constante ameaça, seja pela própria classe política que se aproveita de um momento de desarticulação das forças progressistas, seja por setores conservadores da sociedade civil que vislumbram a possibilidade de jogar por terra conquistas importantes. 

Nesta 12a edição da DESIDADES contamos com um leque variado de discussões que destacam as múltiplas inserções das crianças e jovens latino-americanos na dinâmica social. Os textos desta edição apontam, sobretudo, a relevância de se considerar a dinâmica inter-geracional entre crianças, jovens e adultos como um aspecto analítico fundamental na compreensão das demandas e ações das novas gerações.

Damos destaque, nesta edição, ao dossiê sobre a “Infância na América Latina” organizado por três pesquisadores argentinos: Pablo de Grande, da Universidade San Salvador; Valeria Llobet, da Universidade de San Martin; e Carolina Remorini, da Universidade Nacional de La Plata.

Crianças e jovens não gozam, e talvez nunca tenham gozado (Corazza, 2000), de um lugar especial em que sejam preservadas das agruras da vida social e das intempéries da vida política.

Com a 9ª  edição da DESIDADES, que ora lançamos, celebramos o seu segundo ano de existência.  Em dezembro de 2013, quando lançamos o primeiro número, vislumbramos o desafio de construir um veículo de divulgação científica, em duas línguas – português e espanhol – acerca da infância e da juventude latino-americanas.  Vislumbramos, porque não se tinha ideia das dificuldades que teríamos que enfrentar. 

A julgar por discursos não tão distantes do presente, a juventude foi frequentemente celebrada como a metáfora da mudança social, e neste sentido, nela se depositavam as esperanças de um futuro melhor. Karl Mannheim, em um artigo escrito em 1954 que procurou responder à pergunta sobre qual seria a contribuição da juventude à sociedade, afirma que “a juventude é um dos mais importantes recursos espirituais latentes para a revitalização de nossa sociedade”.

Neste momento assistimos a mais um episódio da cena política brasileira que, ao investir contra o pacto social acordado na Constituição Federal, cria factoides da realidade social cujos desdobramentos serão nefastos sobre a juventude e suas relações com a geração dos adultos.

De 2006 a 2014, em nome da guerra contra o crime organizado, 45 mil pessoas foram mortas no México, a imensa maioria das vítimas sendo jovens do sexo masculino. No Uruguai, para um adulto pobre, existem sete a oito crianças ou jovens pobres, os primeiros a serem afetados nas crises econômicas nacionais e internacionais, e os últimos a se beneficiarem em caso de fortalecimento econômico.